KOKORO: NATSUME SOSEKI

KOKORO

KOKORO, que pode ser traduzido por CORAÇÃO, talvez mente, alma ou essência. Romance considerado a obra prima de Natsume Soseki, publicado originalmente em 1914, pouco antes da morte do autor. Trata, cuidadosamente, do encontro entre um professor e um jovem universitário. Os dois desenvolvem uma relação, ainda que inusitada, de muita intimidade, que é descrita através de vários encontros. Um encontro entre duas gerações, tal qual pai e filho. Um mistério percorre toda narrativa que só será revelado parcialmente no final do livro.   

Deixa claro uma tensão profunda entre a individualidade e o dever com o coletivo. Escrito no período Meiji, retrata as relações familiares do velho professor e sua esposa e da família do jovem estudante, narrativas que correm em paralelo e único ponto de contato entre elas é o jovem. O jovem é o fio que liga os vários relatos que só se encontram através dele. Soseki traz como pano de fundo a sociedade na era Meiji e as tensões que são relatas por meio da tensão da relação entre a dupla e as relações triangulares que se formam. Um romance que apresenta a descrição psicológica em grande estilo. Fala em solidão, tristeza, fragilidades e morte. 

Petisco:

Foi em Kamakura que o conheci. Na época, eu ainda era um jovem estudante. Ao receber um cartão-postal de um amigo que havia ido à praia desfrutar das férias de verão, convidando-me para ir até lá de qualquer maneira, tratei de correr atrás do dinheiro necessário e ir me encontrar com ele. No entanto, três dias após minha chegada a Kamakura, meu amigo recebeu um telegrama de sua terra, cuja mensagem dizia-lhe para voltar imediatamente …

Foi precisamente em meio a essa multidão que descobri o professor. (p. 13)

Natsume Soseki, KOKORO, São Paulo: Estação Liberdade, 2025.

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